sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A tecnologia influenciando as práticas sociais



“Tão perto e tão distante”. Acredito que a frase possa representar o que a tecnologia possibilita, hoje em dia, às práticas sociais de quem se aventura à navegação pelo infinito oceano da web.
A tecnologia, enquanto ferramenta de prática social na qual se constitui hoje, nos possibilita uma proximidade, apesar de distância física. Acredito que isso ressignifica não só práticas sociais como também laços familiares e relacionamentos. Uma amiga mandou a única filha, de 16 anos, para Austrália, por 6 meses, para um intercâmbio. No dia do aniversário da menina, liguei para consolar a amiga, que eu julgava estar arrasada de saudades. Ela estava ótima. Falava com e via a menina quatro ou cinco vezes por dia.Tomava jantava com a menina todos os dias. Ela e o marido jantando e a menina com o celular na cestinha da bicicleta a caminho da escola, já no dia seguinte ao nosso aqui no Brasil e, muitas vezes, só autorizava a “balada” se a filha entrasse com a câmara do celular ligada para os pais verem em que ambiente ela estava, quem eram as pessoas que frequentavam o lugar, que idade tinham, o que consumiam etc. Minha amiga acreditava que, cercada de tecnologias como estava, a menina era mais monitorada que no ambiente familiar.
Lidar com datas comemorativas, reuniões familiares, compromissos sociais e profissionais hoje em dia também já exigem de nós novos comportamentos. A memória, a agenda, o álbum de fotografias também não são mais os mesmos. E eu não preciso deixar de comprar de uma camisa para o marido, por não saber se ele vai gostar. Uma fotografia e uma mensagem de celular resolvem o problema, assim como eu não preciso mais ficar perdida no estacionamento do shopping, sem saber em que andar deixei o carro. Uma foto da localização na parede do estacionamento resolve o problema.
A tecnologia existe. A demanda também. A questão é o tempo que levamos para incorporar algumas práticas em nossas vidas. Em algumas situações me vejo como no filme “Helpdesk”, sem saber de onde começar. Em outras, penso como vivemos sem uma determinada facilidade tecnológica. E em outras ainda, sinto medo de ter todas essas possibilidades na mão e de não saber o que fazer com elas. Algo como o novo dono do livro de areia que quis tê-lo, mas, ao mesmo tempo teve medo.
Até bem pouco tempo costumava levar câmera fotográfica a eventos, mesmo que com o celular na bolsa. Penso que isso revela que além da questão do domínio das ferramentas tecnológicas, nós que não somos nativos digitais temos ainda o desafio de conhecer as possibilidades que a tecnologia nos oferece. Possibilidades estas que, muitas vezes carregamos na bolsa sem saber.
Conforme Paiva (2010), algumas esferas sociais levam mais tempo para incorporar as tecnologias, não por não disporem delas, mas por questões culturais. Ela exemplifica a escola, cuja parte administrativa é informatizada, mas a sala de aula não. E pior, o professor também não, pois hoje em dia já não se pode acusar as redes de mal equipadas tecnologicamente, quando os alunos possuem suas próprias tecnologias portáteis. Outro problema relacionado são as restrições a determinados usos, como celulares, redes sociais etc. revelando uma visão restritas destas ferramentas e de suas possibilidades de uso pedagógico.
Retomando uma das ideias de Paiva (2010), acredito que muito da lentidão com que muitos de nós incorporam a tecnologia em suas práticas sociais, deve-se ao fato de ainda vivenciarmos (sobretudo na educação) a distinção entre espaços informatizados e espaços não informatizados. Penso que essa separação (falsa separação) atrasa o nosso reconhecimento da tecnologia que anda conosco, pendurada no pulso, dentro da bolsa, acoplada ao carro, em pontos públicos da cidade etc.
PAIVA, V. L. M. O. A tecnologia na docência em línguas estrangeiras: tensões e convergências. In: Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos. (Org.). Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente. Belo Horzionte: Autêntica, 2010, v. V, p. 595-613.
Disponível em < http://www.veramenezes.com/endipe.pdf> Acesso em 05/11/12.

Nenhum comentário:

Postar um comentário